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Nasceu para nós um Salvador

Pe. Paulo Tarso Bispo - Vigário

A Bíblia nos ensina:

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. E a Igreja proclama,todos os anos na Noite Santa do Natal, retomando a profecia de Isaias aos seus contemporâneos: apalpamos como cegos a parede, andamos tateando; jazemos como mortos nas trevas; rugimos como ursos e gememos como pombas, à espera da Salvação”.

O Nascimento de Jesus apresenta-se como cumprimento da antiga promessa; o tempo de espera terminou, e a Virgem dá à luz ao Messias. O menino Jesus nasce para a humanidade que vai em busca de liberdade e de paz; nasce para cada homem oprimido pelo pecado, necessitado de salvação e sedento de esperança. Assim, nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz nos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz.

O Evangelho de Lucas situa o Natal de Jesus dentro de um contexto histórico bem determinado: a realização de um recenseamento publicado por César Augusto. Por ser José de Belém deveria ele recensear-se aí. Essas particularidades históricas traçadas pelo evangelista nos dão suficiente garantia de historicidade e credibilidade. Enquanto estavam em Belém, Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria. “Eis o ícone do Natal: um frágil recém-nascido, que as mãos de uma mulher protegem com pobres panos e depõe na manjedoura”. Na figura de uma criança temos um Salvador, vulnerável, frágil e desarmado como uma criança.

Eis que vos anuncio uma grande alegria, hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Esse foi o grande anúncio para a humanidade, é o parto da salvação de Deus. “Jesus nasce para a humanidade que vai em busca de liberdade e de paz; nasce para cada homem oprimido pelo pecado, necessitado de salvação e sedento de esperança. Ao clamor incessante dos povos: Vem, Senhor, salvai-nos!, Deus responde nesta noite: a sua eterna Palavra de amor assumiu a nossa carne mortal. O Verbo entrou no tempo: nasceu o Emanuel, o Deus conosco. Nas catedrais e nas basílicas, como nas mais pequenas e longínquas Igrejas de todos os recantos do mundo, eleva-se comovido o cântico dos cristãos: ‘Hoje nasceu para nós o Salvador’”.

O Natal do Senhor suscita uma grande alegria em nós, alegria experimentada por grandes místicos de ontem e de hoje, como o Beato João Paulo II, que diz: “Ó Natal do Senhor, que inspirastes Santos de todos os tempos! Penso, entre outros, em São Bernardo e nas suas elevações espirituais diante das cenas comovedoras do presépio; penso em São Francisco de Assis, idealizador da primeira animação ‘ao vivo’ do mistério da Noite Santa; penso em Santa Teresa do Menino Jesus, que diante da orgulhosa consciência moderna voltou a propor, com o seu ‘pequeno caminho’, o autêntico espírito do Natal”.

O Grande mistério do Natal é o rebaixamento de Deus. Ele vem ao nosso encontro, encarna-se. Enquanto o ser humano pretende tornar-se deus, arrogando-se senhor da terra, Deus ao contrário rebaixa-se ao nível da pequenez e da fragilidade do ser humano. O Papa Bento XVI, meditando o mistério da manjedoura de Belém, afirma-nos: “Deus desce realmente. Torna-se criança, colocandose na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O criador que tudo sustenta em suas mãos, de quem todos nós dependemos, faz-se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral”.

Por isso, o nascimento de Jesus causa uma revolução na humanidade, de modo que essa revolução não aconteceu pela força das armas, das ideologias que ele veio inaugurar, mas, a partir de outra maneira, do apequenamento, da humilhação. Eis o Natal verdadeiro; é a festa do “esvaziamento, o aniquilamento de Deus, com o objetivo de tornar-se de fato e de direito, membro da humanidade”.

Guilherme Thierry, teólogo medieval, afirma: “Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Deus escolheu um caminho novo. Tornou-se um menino. Tornou-se dependente frágil, necessitado do nosso amor”.

Portanto, Deus veio a este mundo para se comunicar com os homens, reconquistá-los e levá-los a si, veio na fragilidade e limitação de uma criança, veio “como um balbucio que é fácil de sufocar. E, de fato, o sufocam. Sufocam-no, fazendo do Natal a festa da sociedade de consumo, do esbanjamento institucionalizado; festa dos presentes e das decorações luminosas, do décimo terceiro salário e dos champanhas e panetones, festa de certa poesia, de bondade generalizada, de um difuso sentimentalismo com verniz de generosidade e emoção”.

Finalmente, desejamos que Jesus, o Emanuel, não seja celebrado como uma tradição anual, uma fábula, mas como parte verdadeira da história da humanidade. A criança que nasceu a mais de 2000 anos na manjedoura em Belém é a Palavra de Deus que se fez carne e veio habitar entre nós, em nossos corações, em nossas vidas, em nossas famílias. Desse modo, peçamos as luzes e bênçãos do Céu, para que possamos anunciar e testemunhar alegremente, com palavras e obras, a vinda do Verbo que se fez carne. Esta é a nossa grande alegria!


“Jesus nasce para a humanidade que vai em busca de liberdade e de paz; nasce para cada homem oprimido pelo pecado, necessitado de salvação e sedento de esperança”.

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