POBRES – NOSSOS IRMÃOS

POBRES – NOSSOS IRMÃOS

 

No próximo domingo, 14, tendo como tema “Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7), será celebrado o quinto Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco, que nos convoca a viver a solidariedade com os necessitados. Os pobres são nossos irmãos. Deus sempre olha, escuta e socorre o pobre e essa é, também, nossa missão.

NO BRASIL, constata-se uma crescente pobreza socioeconômica que assola mais de 51 milhões de pessoas. O primeiro direito de ser humano é viver e, para viver, é necessário ter o pão de cada dia. Todos temos o direito à sustentabilidade alimentar. A fome não espera. E essa, deve e pode ser vencida: “Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre, também há de chamar, mas não será ouvido” (Prov. 21,13). E Jesus se identifica com o pobre: “Tive fome e me destes de comer”. (Mt 25,35).

DAR COMIDA aos pobres é um gesto louvável, humano e cristão. No entanto, não lhes garante o direito ao trabalho, à educação, saúde, moradia e à promoção social. Não ter trabalho, nem um salário justo, não ter uma casa onde morar, são situações que atentam contra a dignidade da pessoa humana. A mão estendida do pobre é um convite para sairmos do nosso comodismo.

“É CERTO que os pobres se aproximam de nós porque damos alimento, mas aquilo que verdadeiramente precisam ultrapassa à sopa, à uma quentinha, ou um sanduíche que oferecemos. Os pobres precisam de nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir o calor do afeto e de nossa presença para superar a solidão. Nunca vos esqueçais que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual.” (Papa Francisco).

PORTANTO, não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Essas iniciativas, embora válidas e úteis, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida.

QUE O DIA Mundial dos Pobres se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os necessitados, permite-nos compreender e viver a Palavra de Deus. Os pobres nos motivam a viver a essência do Evangelho. “Meus filhinhos, não amemos com palavras, nem com a boca, mas com obras e com verdade” (Jo 3,18).

 

Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
[email protected]

Crônicas da Semana – 09 de novembro de 2021

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