TIRAR A TRAVE

TIRAR A TRAVE

 

Existe a tentação de atribuir aos outros nossos defeitos. O egoísta está sempre vendo egoísmo nos outros, o invejoso vê inveja em toda a parte. O Evangelho recomenda tirar a trave do próprio olho antes de querer tirar o cisco do olho do irmão. E também, não julgueis e não sereis julgados.

UM PROVÉRBIO popular garante: “Dize-me o que criticas e dir-te-ei o que és”. O Evangelho esclarece: “O olho é a lâmpada do corpo. Se o olho for sadio todo o corpo será luminoso” (Mc 6,22). Um personagem do livro “Os Noivos”, de Alessandro Manzoni, garante: tudo é puro para aquele que é puro! Vale a alternativa contrária. Tudo é mau para aquele que é mau.

A TENTAÇÃO da desculpa, a tentação de atribuir aos outros a culpa, vem desde o Jardim Terreal. Adão acusou Eva; Eva responsabilizou a serpente. No dia a dia, são infinitas as tentativas de fugir à responsabilidade. Os outros, são sempre culpados. Na linguagem popular se garante que as vitórias têm inúmeros pais, mas as derrotas são órfãs. Concretamente, na educação dos filhos, é fácil achar culpados: a televisão, as redes sociais, a escola, as más companhias…

A INVEJA não suporta o sucesso dos outros e não se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo. Está sempre com pessoas soberbas, que querem ser melhores do que as outras em tudo. São pessoas inseguras, fracassadas ou revoltadas, que, não conseguindo o sucesso das outras, ficam corroídas de inveja e desejando-lhes o mal. A inveja tem como filhas a competição egoísta, o ódio e a murmuração.

OS DEFEITOS que percebemos nos outros estão, quase sempre, em nós. É deselegante atribuir aos outros os nossos defeitos. A pessoa serena e equilibrada verá qualidades nos outros. A maturidade pede que avaliemos as razões profundas, as raízes, dos nossos sentimentos e reações e que tenhamos sempre caridade e nunca inveja.

FRANCISCO Faus escreve: “A caridade não é interesseira, a inveja só procura tirar vantagem de tudo e de todos. A caridade não se irrita, nem guarda rancor, ao passo que a inveja cultiva o ressentimento e chega a convertê-lo em ódio. A caridade não se alegra na injustiça, mas compraz-se na verdade, a inveja alegra-se com mal alheio e lança mão da calúnia. A caridade tudo desculpa, a inveja tudo critica, tudo julga e condena. A caridade tudo tolera, o invejoso não suporta nem aos outros nem a si mesmo”.

 

Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
[email protected]

Crônicas da Semana – 24 de agosto de 2021

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